Operação da PF e CGU investiga aplicação de R$ 97 milhões no Banco Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma operação para investigar possíveis irregularidades em aplicação de R$ 97 milhões no Banco Master realizadas pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev).

O Banco Master, que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição violou normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava grave crise de liquidez.

Ao todo, os agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). As ações ocorreram em endereços localizados em Alagoas e São Paulo.

Alvos da operação e medidas judiciais

A ofensiva busca apurar o envolvimento de gestores e consultores nas decisões financeiras do instituto. Entre os alvos das buscas estão:

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e ex-membro do Conselho de Administração do Iprev;

  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;

  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;

  • Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria Crédito & Mercado;

  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;

  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

Além dos mandados nos endereços dos investigados, a decisão judicial autorizou buscas nas sedes do Iprev e da empresa Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA. Foram apreendidos computadores, mídias digitais, telefones, documentos e contratos.

O ministro André Mendonça também decretou o bloqueio e a indisponibilidade dos bens móveis, imóveis e valores dos seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões.

Suspeita de terceirização e gestão fraudulenta

As apurações apontam que a consultoria Crédito & Mercado atuou no credenciamento, análise de risco e formação documental das operações com a instituição financeira. Para a PF, a prática caracterizou uma “terceirização indevida da competência administrativa” do Iprev.

As suspeitas recaem sobre duas aportes em letras financeiras emitidas pelo banco. A primeira aplicação ocorreu em dezembro de 2023, no valor de R$ 97 milhões, e a segunda em maio de 2024, no montante de R$ 17 mil.

O objetivo da investigação é esclarecer os processos de governança, cotação e análise de risco que fundamentaram os aportes milionários antes da quebra da instituição.

A decisão do STF

Em sua decisão, o ministro André Mendonça detalhou que a Polícia Federal reuniu indícios de direcionamento das aplicações e exposição indevida do patrimônio dos servidores a ativos de alto risco.

“De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master”

A reportagem ainda não conseguiu contato com a prefeitura de Maceió, nem com investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

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