
A Justiça de São Paulo acatou a denúncia apresentada pela promotora Fabíola Sucasas e tornou réu o empresário Ivo Vel Kos. Ele responderá pelos crimes de lesão corporal contra mulher e ameaça, motivados por agressões cometidas contra a esposa na capital paulista.
A decisão foi tomada pela Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.
Na mesma ocasião, a Justiça rejeitou o pedido apresentado pela defesa do empresário, que solicitava a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar.
Como aconteceram as agressões
O episódio ocorreu na noite do dia 14, durante o trajeto de volta de um jantar no bairro de Pinheiros, na zona oeste paulistana.
A discussão teve início ainda dentro do veículo, momento em que o empresário atingiu a cirurgiã-dentista Giulia Falcão com diversos socos no rosto e pelo corpo.
De acordo com o relato da vítima, a violência continuou assim que os dois chegaram à residência do casal.
No imóvel, Giulia foi atingida na mão por um taco de beisebol e sofreu ameaças com um dispositivo de choque elétrico.
Tentativa de socorro e posicionamento do MPSP
Durante os momentos de tensão, a vítima tentou buscar ajuda, mas enfrentou barreiras impostas pelo agressor.
“Quando ela tentou pedir socorro pelo celular, o aparelho foi retirado pelo acusado. Em seguida, ao tentar deixar o imóvel, a mulher sofreu ameaças de morte caso saísse da residência. Ela conseguiu fugir e pedir ajuda a vizinhos, que acionaram a Polícia Militar”, explicou o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
O laudo do exame de corpo de delito confirmou lesões corporais leves, incluindo edemas, equimoses no rosto e na região dos olhos e nariz, além de um ferimento na mão direita.
“Para oferecer a denúncia, a promotoria considerou, além do relato da vítima, as lesões constatadas pelos policiais que atenderam a ocorrência, a admissão do próprio investigado de que havia dado um soco no rosto da mulher e os laudos periciais”.
Histórico de violência e medidas de proteção
Giulia relatou às autoridades que este caso não representa um fato isolado em seu relacionamento.
Segundo o MPSP, a cirurgiã-dentista explicou que já existia um histórico de agressões físicas, ameaças, perseguição, controle e episódios de sufocamento, enforcamento e estrangulamento.
Avaliando a gravidade do cenário e o risco à vida da vítima, a Justiça decretou medidas protetivas de urgência.
O réu está proibido de manter qualquer tipo de contato com a vítima, seja pessoalmente, por meios eletrônicos ou por meio de terceiros.
Ficou estabelecida uma distância mínima de 300 metros da mulher, de seus familiares, de sua residência e do seu local de trabalho.
Violência patrimonial e retorno ao lar
A decisão judicial também determinou o retorno de Giulia à residência onde morava com o empresário.
Após a prisão em flagrante de Ivo, familiares do acusado trocaram as fechaduras do imóvel, impedindo a entrada da dentista e retendo seu carro e pertences pessoais.
“Na decisão, a juíza Carla Balestreri considerou que a retirada da mulher de sua própria residência e a privação de seus bens configuravam violência psicológica e patrimonial, determinando seu retorno ao lar e a restituição do carro e dos objetos. O pedido de prisão domiciliar foi rejeitado porque a documentação apresentada pela defesa não comprovou a condição de saúde exigida pela lei para a substituição da prisão preventiva”, informou o MPSP.