Janja defende a suspensão do bloqueio do Discord no Brasil após caso grave com adolescente

Durante cerimônia no Palácio do Planalto, a primeira-dama Janja da Silva defendeu publicamente o bloqueio do Discord no Brasil. A declaração ocorreu durante a sanção da lei que endurece as penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

A primeira-dama ressaltou a necessidade de utilizar mecanismos legais para interromper o funcionamento do aplicativo no país. Ela destacou que a plataforma tem sido palco de abusos contra menores e agressões virtuais direcionadas às mulheres.

“Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. Precisamos encontrar os instrumentos para isso acontecer. Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos ser mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Eu não consigo admitir um país desse”, alerta Janja.

Tentativas governamentais e entraves jurídicos

O Secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, confirmou que a pasta tentou suspender o aplicativo. No entanto, a solicitação acabou negada pelo Poder Judiciário.

Diante do impasse, o advogado-geral da União, Jorge Messias, solicitou o envio de relatórios detalhados sobre o caso da adolescente. O objetivo é fundamentar uma nova ação civil pública contra a plataforma.

A Operação Lívia e os crimes na rede

A mobilização do governo ganhou força após a morte de uma jovem de 13 anos em Mato Grosso do Sul. A vítima foi induzida a se praticar violência física e tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord.

O crime motivou a Polícia Civil a deflagrar a Operação Lívia no dia 4 de agosto. Os agentes cumpriram mandados judiciais contra suspeitos espalhados por estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Pará e Mato Grosso do Sul.

As investigações revelaram que o grupo coagia jovens nas redes sociais por meio de chantagens e manipulação psicológica. Os desafios violentos eram exibidos em tempo real para centenas de espectadores na plataforma.

Um adolescente de 14 anos, morador do Rio de Janeiro, foi identificado pelas autoridades como o líder da organização. A perícia nos eletrônicos apreendidos deve ajudar a identificar outros envolvidos e localizar possíveis vítimas.

Posições anteriores sobre redes sociais

A crítica de Janja ao Discord reflete uma postura rigorosa que ela já adotou em outras ocasiões em relação ao ambiente digital.

Em 2025, a primeira-dama manifestou preocupação semelhante ao mencionar os riscos do TikTok para crianças e mulheres durante um jantar com o presidente chinês Xi Jinping.

Share.