Meta enfrenta julgamento nos EUA por impactos do Instagram em jovens

O julgamento contra a Meta nos Estados Unidos avançou com o depoimento dos principais executivos do Instagram nesta terça-feira (25). A empresa enfrenta acusações formais apresentadas por mais de 20 estados americanos.

Os promotores afirmam que o aplicativo prejudica a saúde mental de crianças e adolescentes. Além disso, a acusação sustenta que a corporação prioriza o lucro comercial em detrimento da proteção dos menores.

Depoimento de Adam Mosseri sobre relatórios de segurança

Durante a audiência, o CEO da plataforma, Adam Mosseri, respondeu a questionamentos diretos de advogados e da juíza responsável pelo caso. O foco do interrogatório foi a gestão de dados sensíveis relativos ao uso do aplicativo por menores.

Mosseri negou ter conhecimento de orientações para que funcionários escondessem dados antes de apresentações internas. A acusação apresentou um caso de 2023, no qual dados sobre a exposição de jovens a conteúdos de automutilação teriam sido alterados.

Acesso restrito a pesquisas internas

O executivo admitiu que a equipe jurídica revisava o material antes das reuniões de diretoria. No entanto, defendeu que o procedimento é padrão em temas com implicações legais.

Ele também confirmou que a empresa limitou o acesso dos funcionários a relatórios internos. A medida ocorreu após o vazamento de documentos corporativos em 2021 pela ex-funcionária Frances Haugen.

Segundo Mosseri:

“Eu não estou tentando incentivar minha equipe a esconder nada. Acredito que, quando há implicações jurídicas relacionadas a um determinado trabalho, o procedimento é que advogados revisem o material”

Efetividade do recurso para controle de tempo

O tribunal também analisou a eficácia de ferramentas desenvolvidas para reduzir o tempo de tela. O principal ponto debatido foi a função de pausa no uso do aplicativo.

Dados apresentados no processo indicaram que apenas 1,8% dos usuários ativaram a opção no lançamento. A baixa adesão gerou questionamentos por parte da juíza Yvonne Gonzalez Rogers sobre o design da plataforma.

Divergências entre funcionários no tribunal

Diferentes colaboradores e ex-funcionários prestaram declarações sobre os resultados da ferramenta.

O diretor de design de produto, Francesco Fogu, declarou desconhecer a porcentagem máxima de adesão ao recurso. A resposta foi questionada pela juíza do caso.

Por outro lado, o ex-cientista de dados George Volichenko avaliou o resultado de forma crítica durante o depoimento.

George Volichenko falou no tribunal que a taxa de adoção do botão entre jovens era “muito baixa e desapontante”, além de ser “fácil de ser ignorada”.

Por fim, Mosseri esclareceu que a ferramenta passou a ser ativada por padrão no final de 2024, o que melhorou os índices de uso após o início da ação judicial.

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