A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 pelo Comitê do Nobel, sediado em Oslo. A premiação, anunciada nesta sexta-feira (10), reconhece o “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
Durante o discurso da premiação, Jørgen Watne Frydnes, presidente do comitê norueguês, descreveu Machado como “uma defensora corajosa e comprometida com a paz, a uma mulher que mantém a chama da democracia viva em meio à crescente escuridão”. O comitê enfatizou que Machado demonstrou que as ferramentas da democracia são também as da paz, personificando a esperança por um futuro em que os direitos fundamentais e as vozes dos cidadãos sejam protegidos.
A organização da renomada premiação destacou que Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem cívica na América Latina nos últimos tempos, atuando como figura-chave e unificadora em uma oposição política venezuelana que encontrou um ponto em comum ao exigir eleições livres e um governo representativo.
Expectativa e Impacto da Premiação
O Comitê do Nobel espera que a líder da oposição venezuelana possa viajar a Oslo dentro de dois meses para receber o Prêmio da Paz. No entanto, o chefe do Comitê do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, ressaltou que é muito cedo para confirmar a viagem, pois uma questão “séria” de segurança precisa ser resolvida primeiro.
Segurança da Laureada
Na coletiva de imprensa, Frydnes abordou o dilema da segurança de Machado, que reside na Venezuela. Ele expressou confiança de que o prêmio apoiará a sua causa, não a limitará, apesar de ela “viver escondida devido a sérias ameaças à sua vida”. O comitê discute anualmente esse dilema com todos os candidatos que enfrentam ameaças graves.
Repercussão entre a Oposição
O ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia — proclamado vencedor pela oposição das eleições de julho do ano passado e exilado em Madri — saudou o prêmio. González disse que o Nobel da Paz concedido a Machado é um reconhecimento da “luta de uma mulher e de todo um povo” pela “liberdade e democracia” na Venezuela. Em sua conta no X, ele parabenizou Machado e mencionou que ela é “a primeira vencedora do Prêmio Nobel da Venezuela”.
Próximo Compromisso de María Corina Machado
A líder da oposição venezuelana tem um compromisso marcado para participar da segunda edição do fórum World in Progress (WIP), que será realizado na Espanha em 20 de outubro.
Participação em Barcelona
Em Barcelona, Machado está prevista para participar da mesa redonda intitulada “Venezuela e Horizontes Democráticos“, ao lado do ex-presidente do Diálogo Interamericano, Michael Shifter. A mesa será moderada pelo jornalista Pablo Tallón.
No mesmo dia, o evento, organizado pelo Grupo Prisa espanhol, contará com a presença de outro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, que proferirá uma palestra ao lado de Jan Martínez Ahrens, diretor do jornal El País, sobre “Os Desafios Existenciais do Planeta”.