Pedro Urruchurtu, de 35 anos, é um dos pilares políticos e estratégicos de María Corina Machado e o diretor de Relações Internacionais do partido Vente Venezuela, o movimento liberal que se consolidou como principal força de resistência ao regime de Nicolás Maduro. Formado em ciência política, Urruchurtu é responsável pela articulação internacional da líder opositora e pela formação política do partido.

Sua trajetória é marcada pela defesa da democracia venezuelana e por um perfil técnico e disciplinado, o que o tornou uma ponte essencial entre Caracas e os governos democráticos do Ocidente. Ele foi um dos estrategistas da campanha presidencial de Machado em 2024, desafiando o autoritarismo chavista.

O Vente Venezuela, liderado por Machado, rejeita o socialismo e propõe um modelo de reconstrução nacional baseado na economia de mercado, nas liberdades individuais e no Estado de Direito.

O significado do Prêmio Nobel da Paz para María Corina Machado

Em entrevista à Gazeta do Povo, Urruchurtu compartilhou sua surpresa e emoção com o anúncio do Prêmio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado. Segundo ele, o reconhecimento, além de inesperado, é um ato de justiça e um bálsamo para o sofrimento do povo venezuelano.

Urruchurtu vê o Nobel como um reconhecimento à luta e ao sacrifício do país inteiro, mas, sobretudo, como um impulso e uma injeção de força para o desfecho final: a conquista da liberdade, reiterando que “não haverá paz sem liberdade na Venezuela”. O prêmio recoloca a causa venezuelana no centro da agenda internacional e serve como uma plataforma para defender a verdade.

Pressão internacional e a resposta do regime

Para Pedro Urruchurtu, o Prêmio Nobel da Paz confere uma “proteção” e um “escudo adicional” a María Corina e ao movimento democrático. O reconhecimento eleva o custo político de qualquer ação repressiva do regime, pois alerta o mundo e gera maior atenção sobre a situação venezuelana.

O regime, no entanto, reagiu imediatamente fechando o consulado da Venezuela na Noruega. Internamente, prevaleceu o “silêncio imposto pelo medo”, com punições a jornalistas que noticiaram o fato. Urruchurtu ressalta que esse terrorismo de Estado demonstra a importância do prêmio como motor da luta. Ele enfatiza que, embora um regime criminoso não vá cessar seus crimes, agora eles sairão mais caros.

Confinamento e resistência na Embaixada Argentina

Urruchurtu passou mais de 400 dias confinado na embaixada da Argentina em Caracas, sob vigilância do regime, após ser alvo de perseguição política. Ele descreve o período como “muito duro”, mas essencial. A decisão foi de “resistir e trabalhar”.

Apesar do isolamento, da falta de serviços, das ameaças constantes e da tensão permanente, grande parte do comando de campanha de Machado operou de dentro da embaixada. A convicção era de que não se renderiam. Urruchurtu aprendeu que a liberdade reside na mente e no espírito, e que a fé, a rotina e a esperança se tornam refúgios.

Mesmo confinado, ele manteve contato com María Corina Machado e com Edmundo González Urrutia. Conseguia coordenar decisões políticas cruciais, como parte da logística para a presença de observadores internacionais nas eleições e o trabalho de defesa do voto. A resistência no local, que havia se transformado em uma espécie de prisão, foi essencial para manter a campanha ativa.

Os bastidores da Operação Guacamaya

A fuga dos opositores da embaixada argentina, conhecida como Operação Guacamaya, foi uma ação ousada. Urruchurtu não pode revelar muitos detalhes por questões de segurança das pessoas envolvidas, mas explica que a oportunidade surgiu e exigiu precisão estratégica.

A operação envolveu muitas pessoas e países, e foi executada de forma tão sigilosa que o regime só percebeu a ausência dos opositores quatro dias depois. Urruchurtu afirma que conseguiram enganar o regime, mesmo estando no segundo edifício mais vigiado da Venezuela. Ele destaca que a fuga ocorreu sem negociação, desmentindo a versão do regime, e provou que regimes autoritários também possuem “fraturas e fragilidades”.

O socialismo latino-americano e o Foro de São Paulo

Ao analisar a postura do Foro de São Paulo e de parte da esquerda latino-americana, que relativiza as violações do regime de Maduro, Urruchurtu observa que alguns atores já se distanciaram, reconhecendo que apoiar um regime narcotraficante e terrorista é um problema de reputação. Contudo, há quem persista em ignorar o sofrimento do povo venezuelano.

Para ele, a situação chegou a um ponto onde não há meio-termo: ou se está ao lado da justiça, ou ao lado do crime. Aqueles que guardam silêncio ou se recusam a felicitar Machado pelo Nobel, por motivos ideológicos, revelam sua natureza. O apoio ao regime, diante de todas as evidências, já não é por convicção política, mas por cumplicidade com uma estrutura criminosa que arruinou a Venezuela.

A necessidade de força interna e externa

Urruchurtu acredita que a libertação da Venezuela será um processo liderado pelos próprios venezuelanos. O componente interno é crucial, exemplificado pela organização clandestina e pela mobilização cívica do dia 28 de julho, quando mais de um milhão de voluntários defenderam o voto.

Entretanto, ele enfatiza que o regime narcoterrorista venezuelano se tornou uma ameaça à segurança do hemisfério e dos Estados Unidos, exigindo uma articulação externa fundamental. Há coordenação em várias frentes — militar, judicial, diplomática e financeira — para cortar os fluxos de dinheiro do regime, provocar fraturas internas e acelerar sua queda. Urruchurtu conclui que, como o regime se sustenta pela força criminosa, “só responde à força”, e sua queda exigirá ação interna e externa.

Aliados internacionais e a coordenação

O diretor de Relações Internacionais do Vente Venezuela considera líderes como Donald Trump, Marco Rubio e Javier Milei “aliados importantes e fundamentais”. Ele destaca que eles compreenderam a magnitude do problema venezuelano, vendo-o não apenas como ideológico, mas criminal. Há comunicação e coordenação com esses líderes em busca do objetivo comum de transição para a democracia e liberdade na Venezuela.

Urruchurtu também afirma que o Vente Venezuela mantém intercâmbio de informações com grupos políticos e forças vivas da sociedade civil no Brasil que apoiam a causa da liberdade. Embora não cite um canal direto com o governo brasileiro, a interação é constante no nível das forças políticas.

Mensagem aos brasileiros pela liberdade

A mensagem de Pedro Urruchurtu aos brasileiros é um apelo para que cuidem e fortaleçam sua democracia, reconhecendo que a região vive uma dinâmica de autoritarismos criminosos. Ele alerta que dar a democracia como garantida é um erro e que é preciso participar ativamente, seja em partidos, ativismo ou usando a própria voz.

Por fim, Urruchurtu usa o exemplo venezuelano para advertir que “o socialismo não funciona — só funciona como um saque bem-sucedido de governantes que roubam tudo”. Ele incentiva os brasileiros a não repetirem ideias fracassadas e a “apostarem nas ideias que realmente funcionam — as da liberdade.”

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