O governo dos Estados Unidos (EUA) enviou uma comunicação oficial ao secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, oferecendo apoio no combate ao tráfico de drogas. O comunicado, assinado por James Sparks, do Departamento de Justiça americano, elogiou a atuação das forças de segurança do RJ e manifestou pesar pela morte dos quatro policiais que faleceram na recente operação contra o Comando Vermelho (CV).

Esta oferta de auxílio ocorre após a administração do governador Cláudio Castro ter solicitado ao governo americano que o Comando Vermelho fosse classificado como uma organização terrorista e sofresse sanções. Contudo, essa posição é contrária à do governo federal brasileiro, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contra a classificação de facções de narcotráfico como terroristas.

Operação no Rio Mata Líderes do Comando Vermelho e Expõe Dimensão Nacional do Crime

A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou a morte de Cleiton Souza da Silva, foragido do Amazonas e um dos principais líderes da expansão nacional do Comando Vermelho, durante a Operação Contenção.

As investigações revelaram que o traficante operava um complexo esquema de tráfico e lavagem de dinheiro. As drogas chegavam ao Brasil pela tríplice fronteira (Brasil-Colômbia-Peru). Cleiton recebia os entorpecentes, administrava os pagamentos de quase R$ 200 mil a empresas de fachada e providenciava que o dinheiro voltasse à fronteira, dificultando o rastreamento.

O balanço final da Operação Contenção indica a morte de Cleiton e de outros nove líderes do CV, oriundos de quatro estados diferentes. O total de vítimas fatais da operação chegou a 121, sendo 117 civis e quatro policiais. Embora as investigações prossigam, a ação expôs a grande dimensão nacional do crime organizado.

Lula Classifica Ação Policial no RJ Como “Matança” e Pede Investigação Federal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (4) que a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, extrapolou seu propósito e configurou uma “matança”. O presidente manifestou a intenção do governo federal de investigar a ação que resultou em 121 mortes, alegando que, embora houvesse ordem de prisão judicial, não havia uma “ordem de matança”.

Lula defendeu que legistas da Polícia Federal (PF) conduzam uma investigação independente sobre as circunstâncias das mortes. Esta postura de desqualificação da operação se opõe à manifestada pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que classificou a ação como um “sucesso”.

Apesar da crítica presidencial, a fala de Lula contraria a opinião da maioria dos cidadãos do Rio de Janeiro. Uma pesquisa do Instituto Quaest demonstrou que 64% dos moradores do estado aprovam a megaoperação, e 73% gostariam que a polícia realizasse mais ações desse tipo em comunidades e favelas.

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