
Uma ação de marketing do Instagram realizada na entrada da Escola Gracinha, em São Paulo, provocou forte reação de pais e da gestão escolar.
Promotores da rede social abordaram os estudantes no horário de saída sem autorização prévia da instituição.
A denúncia inicial foi veiculada na newsletter Ctrl+Z e confirmada pela imprensa.
Gincana, brindes e reação imediata da escola
Os promotores vestiam camisetas com a marca do Instagram e montaram um estande com banners ao lado do portão principal.
No local, organizaram uma gincana que distribuía sacolas com presentes aos alunos que se aproximavam.
A mobilização rapidamente gerou filas entre os jovens e chamou a atenção da equipe pedagógica.
Ao perceber a movimentação, a direção da escola interveio imediatamente e solicitou a retirada da equipe.
Mesmo após a abordagem, os organizadores apenas atravessaram a rua e continuaram a abordar os jovens do outro lado da calçada.
A direção da instituição desabafou sobre o ocorrido:
“Não estavam abordando nenhum pai, era diretamente para os adolescentes. Foi muito ruim. Vemos isso com péssimos olhos, eles estavam quase dentro. Mas a escola reagiu rápido”
O foco da campanha e as Contas de Adolescente
O objetivo principal da ação era promover o formato de Contas de Adolescente da rede social.
As estruturas exibiam a frase: “Proteções automáticas para adolescentes, tranquilidade para os pais”.
Esse tipo de conta destina-se a jovens de 13 a 17 anos e inclui travas de privacidade padrão.
O recurso também permite a supervisão parental, enviando alertas aos responsáveis sobre pesquisas recorrentes dos filhos.
Contexto do ECA Digital e desdobramentos legais
O episódio ganha relevância no contexto de debates sobre o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).
A legislação exige vinculação de perfis de menores de 16 anos a um responsável legal.
Também estabelece verificação de idade rigorosa e remoção imediata de conteúdos nocivos, sob pena de severas multas.
Questionado sobre possíveis violações à lei, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ainda não se pronunciou.
Falta de aviso prévio e expansão da ação em SP
Em nota oficial, a Escola Gracinha reforçou que jamais recebeu qualquer comunicação da empresa sobre a gincana.
“A escola não foi consultada previamente nem recebeu qualquer comunicação sobre a realização da ação. Assim que tomou conhecimento da ação, a direção foi até os promotores para solicitar que deixassem o local. A escola manifestou que não havia autorizado a abordagem”
Ações semelhantes também foram registradas nas proximidades de outros colégios tradicionais paulistas, como o Santa Cruz e o Oswald de Andrade.
Em nenhum dos locais houve notificação prévia aos diretores das instituições.
O posicionamento oficial do Instagram
Por sua vez, a Meta declarou ao portal TecMundo que a iniciativa integra uma campanha educativa mais ampla em parceria com a Rádio Disney.
A empresa sustentou que a divulgação está em conformidade com as diretrizes do ECA Digital.
Confira a nota enviada pela empresa na íntegra:
“A ação em questão faz parte de uma campanha educativa mais ampla da Meta sobre as proteções das Contas de Adolescente do Instagram, como restrições de contato por desconhecidos, controle de tempo de uso e configurações de privacidade mais rígidas por padrão. Iniciativas como essa estão previstas no ECA Digital, ao estabelecer que plataformas promovam a educação quanto ao uso seguro de seus serviços”