COP17 da UNCCD reúne lideranças mundiais na Mongólia contra a desertificação

Representantes de 196 países e da União Europeia se reúnem na capital da Mongólia, Ulaanbaatar, para enfrentar a COP17 da UNCCD. O objetivo central do encontro é encontrar respostas para a crise ambiental que afeta a segurança alimentar e a água no planeta.

O evento é a principal conferência da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação. Sob o tema “Restaurando a terra. Restaurando a esperança”, os debates abordam a seca e o desgaste do solo.

Lideranças políticas, cientistas e a sociedade civil participam das discussões. O protagonismo feminino se destaca na gestão com a egípcia Yasmine Fouad, secretária-executiva da UNCCD, e a ministra mongol Battsetseg Batmunkh.

A participação do Brasil nos debates

O Brasil marca presença na área principal da conferência, conhecida como Blue Zone. O Pavilhão Brasil reúne especialistas do setor público e privado para expor projetos e tecnologias.

No território brasileiro, a desertificação ameaça principalmente a Caatinga, atingindo o Nordeste e parte de Minas Gerais. O problema afeta cerca de 39 milhões de pessoas e atinge 18% do país.

O fenômeno ocorre em áreas secas onde a chuva é inferior à evaporação. Ação humana inadequada e mudanças climáticas aceleram essa perda de capacidade produtiva da terra.

A escolha da Mongólia como sede

A conferência coincide com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores. A iniciativa da ONU busca destacar povos estratégicos para a conservação do meio ambiente e produção de alimentos.

Uma expedição percorreu o caminho histórico entre a Arábia Saudita e a Mongólia desde maio. O percurso simboliza as antigas rotas nômades criadas no Século 2 a.C.

A jornada serviu para mostrar ações práticas de manejo sustentável. Além disso, a caravana buscou atrair mais recursos financeiros e apoio político internacional.

Os desafios climáticos do território mongol

A Mongólia vive um cenário crítico, com 77% do seu solo já degradado. A situação afeta diretamente a economia e o cotidiano de um terço da população local.

O país sofre com o dzud, fenômeno que combina secas severas no verão com invernos extremamente frios. O problema recente matou milhões de animais e forçou a migração para a capital.

Estrutura da programação do evento

A semana inicial foca na organização dos trabalhos e apresentação de propostas sobre resiliência à seca. Ocorrem também encontros dedicados a jovens, mulheres, povos indígenas e comunidades agrícolas.

Na segunda semana, ocorrem os debates entre líderes mundiais e ministros. As pautas incluem recursos financeiros, recuperação de pastagens e metas de conservação.

Quatro dias temáticos movimentam a agenda final do encontro:

  • Finanças: foco em investimentos no setor.

  • Água: gestão de recursos hídricos.

  • Terra e Povo: impacto direto nas comunidades.

  • Sistemas Alimentares e Saúde do Solo: segurança alimentar global.

Impacto econômico e social no planeta

Dados oficiais indicam que a degradação da terra impacta a vida de 1,5 bilhão de pessoas. Quase 40% das terras do mundo sofrem com o problema, reduzindo a capacidade econômica global.

A aridificação avança sobre áreas antes úmidas desde a década de 1990. Estimativas indicam que bilhões de pessoas viverão em zonas secas até o fim deste século.

A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, disse à Agência Brasil que a conferência ocorre em um momento em que a seca ocupa, como nunca antes, um lugar de destaque na agenda global.

“O desafio não é mais reconhecer a seca como um risco global, mas, sim, agir com antecedência suficiente para evitar que seus impactos se propaguem em cascata por comunidades, economias e fronteiras”, analisa Fouad.

Os prejuízos financeiros da degradação ultrapassam centenas de bilhões de dólares ao ano. Investimentos massivos são necessários para recuperar as áreas afetadas até 2030, como aponta Louise Baker, do Mecanismo Global da UNCCD.

“Terras saudáveis ​​vêm sendo cada vez mais reconhecidas como um ativo que gera retornos econômicos, sociais e ambientais mensuráveis. O desafio agora é garantir que o investimento acompanhe esse reconhecimento”, diz Baker.

Origem da convenção e histórico

A UNCCD nasceu na Rio-92 e integra o grupo conhecido como “Trio do Rio”. A aliança inclui também as convenções focadas em Biodiversidade e Mudanças Climáticas.

As conferências de desertificação ocorrem a cada dois anos. A última edição focada no clima aconteceu no Brasil, na cidade de Belém, em 2025.

O Brasil sediou a COP3 em Recife no ano de 1999. Atualmente, organizações e lideranças defendem que o Nordeste brasileiro receba a edição de 2028.

Acompanhamento da imprensa

A cobertura jornalística do evento na Mongólia conta com presença internacional do Brasil. A parceria garantiu apoio a repórteres selecionados globalmente para cobrir as negociações.

Uma série de reportagens especiais vai detalhar os desdobramentos da conferência e seus reflexos diretos no cenário brasileiro.

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