O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro chega à sua 59ª edição nesta sexta-feira (11), superando um momento de incerteza após ser brevemente cancelado e logo reconfirmado pelo governo local.
O evento mais antigo do cinema nacional bateu recorde com quase 2 mil inscrições nesta temporada.
Ao todo, o público poderá acompanhar mais de 70 produções organizadas em mostras competitivas, seleções paralelas e exibições especiais.
Destaques da programação de abertura
A cerimônia inicial ocorre no tradicional Cine Brasília, a partir das 19h30, exibindo o longa A Pele Morta.
A obra foi idealizada originalmente pelo cineasta Geraldo Moraes e concluída posteriormente por seus filhos, Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres.
“As expectativas são as melhores possíveis. Um dos grandes destaques desta programação é a presença importante de filmes de Brasília, com vínculos fortes com o Distrito Federal”, disse a diretora-geral do festival, Sara Rocha, à Agência Brasil.
Principais mostras e novidades na tela
Entre os pilares desta edição está a mostra Vozes e Lutas, focada em produções que retratam movimentos políticos e culturais.
A seção inclui o filme Pontos de Partida, obra assinada pelo cineasta Silvio Tendler, falecido em setembro do ano passado.
Séries e produções de destaque
Outra novidade é a exibição de conteúdos seriados nas telonas do Cine Brasília.
No sábado (12), às 18h, o evento apresenta em primeira mão três episódios da série Delegado, dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca.
A produção conta com assinatura de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, nomes à frente do aclamado O Agente Secreto.
A reviravolta no orçamento do evento
A realização da mostra enfrentou momentos drásticos após o encerramento do processo seletivo de filmes.
O governo do Distrito Federal chegou a anunciar o cancelamento por falta de verba disponível.
A decisão gerou rápida mobilização da comunidade cultural da capital.
Solução e mobilização rápida
Poucas horas após a repercussão, a governadora Celina Leão determinou a liberação dos recursos necessários por meio da Secretaria de Economia.
Com o impasse resolvido, a organização concentrou esforços na recepção dos realizadores e do público.
“A gente espera superar o número de espectadores e poder abraçar todas as pessoas que fazem parte do festival; o público, os realizadores e toda comunidade cultural, para que a gente possa celebrar o cinema brasileiro e fortalecer. A cada edição do festival que se realiza, amplia um pouco mais esse lastro”, declarou Sara Rocha.
História e valor cultural para o país
Fundado em 1965, o evento firmou-se como um dos principais polos de debate e lançamento do audiovisual no Brasil.
Em sua trajetória, o festival foi suspenso apenas duas vezes durante a ditadura militar e adaptado para o formato virtual na pandemia.
Desde 2007, o projeto é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Distrito Federal.
“Um patrimônio não é cancelável. O festival é um patrimônio tombado formalmente e afetivamente, não só por Brasília, mas por todo o Brasil. A gente está muito feliz e orgulhoso de poder entregar mais uma edição do festival. Que todo mundo possa aproveitar com a gente”, celebou a diretora-geral.