Parlamentares de oposição na CPMI do INSS intensificam esforços para convocar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o senador Weverton Rocha para depor em fevereiro de 2026. A movimentação ocorre após a deflagração de uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios bilionários nas folhas de pagamento de aposentados. O objetivo dos congressistas é esclarecer as conexões citadas pela Polícia Federal envolvendo figuras próximas ao núcleo governista.

O senador Weverton Rocha é apontado pelos investigadores como um possível beneficiário dos recursos desviados, embora negue qualquer irregularidade. A Polícia Federal descreveu o parlamentar como uma peça de sustentação política para as atividades de Antônio Camilo, apontado como o articulador do esquema. O ministro André Mendonça, do STF, negou um pedido de prisão contra o senador, mas as investigações continuam analisando o uso de aeronaves e diálogos de assessores.

No caso de Lulinha, o interesse dos parlamentares surgiu devido à sua proximidade com a empresária Roberta Luchsinger, que teria recebido repasses financeiros de Camilo. Embora não seja investigado formalmente, o nome do filho do presidente aparece em mensagens e anotações apreendidas que sugerem pagamentos destinados a familiares de autoridades. A defesa de Lulinha reafirma que a relação com a empresária é estritamente de amizade e nega qualquer envolvimento com as fraudes.

Articulação política e novos requerimentos de convocação

O deputado Alfredo Gaspar, relator da comissão, protocolou novos pedidos de convocação para ouvir os citados logo após o recesso parlamentar. Anteriormente, a base governista conseguiu barrar tentativas semelhantes, mas a oposição acredita que os novos indícios trazidos pela Polícia Federal mudaram o cenário político. Além dos nomes principais, o relator solicitou os depoimentos de assessores e ex-secretários que teriam vínculos com a estrutura investigada.

Parlamentares como Kim Kataguiri e Marcel van Hattem argumentam que os indícios são graves o suficiente para exigir explicações imediatas no Congresso. Para os críticos do governo, as menções a parentes do presidente e a participação de um vice-líder do Senado nas investigações indicam uma contaminação sistêmica. Eles defendem que a comissão precisa atuar com independência para identificar todos os beneficiários finais do esquema criminoso.

O clima de confronto na CPMI deve aumentar com a possível acareação entre os envolvidos e os principais acusados de operar as fraudes. A estratégia governista, por outro lado, foca em desqualificar os indícios como meras suposições sem provas materiais diretas. O embate deve ditar o ritmo das votações na comissão assim que as atividades legislativas forem plenamente retomadas no próximo ano.

Prorrogação da CPMI e os próximos passos da investigação

A oposição obteve as assinaturas necessárias para prorrogar os trabalhos da comissão até julho de 2026, garantindo mais tempo para a análise de documentos. O requerimento contou com o apoio de 175 deputados e 29 senadores, o que permite a continuidade das investigações além do prazo inicial de março. Com essa extensão, o colegiado poderá processar um volume massivo de dados provenientes de quebras de sigilo bancário e fiscal.

A justificativa para a prorrogação reside na complexidade técnica do caso, que envolve milhares de transações financeiras suspeitas e centenas de depoimentos pendentes. Os parlamentares alegam que o encerramento precoce dos trabalhos prejudicaria a elaboração de um relatório final consistente e fundamentado. A manutenção da CPMI ativa mantém o governo sob pressão constante diante das revelações que surgem da Operação Sem Desconto.

Para os próximos meses, a expectativa é que a análise das 1.500 quebras de sigilo revele o caminho percorrido pelo dinheiro desviado do INSS. Caso os repasses mencionados nas mensagens sejam confirmados por registros bancários, a situação jurídica dos envolvidos pode se agravar. A comissão agora se prepara para uma fase de confrontação direta de provas, buscando concluir o inquérito com recomendações de indiciamento.

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