O Exército Brasileiro dará um salto em sua capacidade de defesa antiaérea com a implantação de um sistema de mísseis de médio alcance em Jundiaí, São Paulo. O 12º Grupo de Artilharia de Campanha foi transformado no 12º Grupo de Artilharia Antiaérea (12º GAAAe) e será a primeira unidade do país a operar equipamentos capazes de atingir alvos a até 15 mil metros de altitude e 40 quilômetros de distância. Atualmente, o Brasil só opera sistemas de baixa altitude, limitados a 5 mil metros.

Essa modernização acontece em um cenário global de intensas transformações geopolíticas, o que impulsiona as Forças Armadas de diversos países a atualizarem seus sistemas de defesa.

Ampliação da capacidade de defesa

A nova capacidade de defesa antiaérea de média altura representa uma ampliação significativa em relação aos sistemas já em operação no Brasil. Atualmente, o Exército utiliza equipamentos de baixa altitude, como os mísseis portáteis Igla-S e RBS-70, as viaturas blindadas de combate Gepard 1A2 e o radar SABER M60.

A previsão inicial é que o 12º GAAAe receba sistemas de defesa de baixa altura transferidos do 2º Grupo de Artilharia Antiaérea, sediado em Praia Grande (SP). A incorporação dos mísseis de médio alcance ocorrerá na sequência, seguindo o cronograma de modernização da força. A implementação da defesa antiaérea de média altura visa ampliar a segurança de bases aéreas, instalações estratégicas e esquadras navais. Essa nova capacidade tem um forte efeito dissuasório, aumentando a credibilidade e a capacidade de resposta do Brasil frente a ameaças externas.

Vantagens logísticas e estratégicas de Jundiaí

A escolha de Jundiaí como sede da nova unidade foi embasada em critérios logísticos e estratégicos. A cidade conta com um parque industrial consolidado, uma posição central na região Sudeste e acesso facilitado a infraestruturas vitais. Isso inclui os portos de Santos e do Rio de Janeiro, os aeroportos de Viracopos e Guarulhos, e rodovias importantes como a Anhanguera.

Essas características permitem um deslocamento rápido e um apoio operacional eficiente para diferentes regiões do país. Com a criação do 12º GAAAe, o Comando de Defesa Antiaérea do Exército, sediado em Guarujá (SP), passa a contar com sete grupos especializados na proteção de estruturas estratégicas e na defesa do espaço aéreo brasileiro. Além de Jundiaí, o Exército estuda a expansão do sistema para outras regiões estratégicas do país.

O papel do Comando de Defesa Antiaérea

O Exército Brasileiro, em coordenação com a Força Aérea Brasileira (FAB), desempenha um papel crucial na defesa do espaço aéreo nacional. Na Força Terrestre, essa missão é coordenada pelo Comando de Defesa Antiaérea do Exército, responsável por planejar, coordenar e executar ações de proteção de áreas sensíveis e de tropas em operações.

Programa “Força 40” guia a modernização

A transformação da unidade de Jundiaí faz parte do programa estratégico “Força 40”, uma iniciativa que visa preparar o Exército Brasileiro para os desafios até o ano de 2040. O programa se baseia em quatro pilares: doutrina, pessoal, capacidades e estratégia.

Entre as novas capacidades previstas estão sistemas avançados de defesa antiaérea, antimíssil e contra drones, todos integrados e de alta precisão. O “Força 40” incorpora conceitos de operações multidomínio – que integram forças terrestres, aéreas, navais e cibernéticas – e A2/AD (antiacesso e negação de área), voltado à proteção do território e à dissuasão de ameaças.

Até 2040, o Exército busca estabelecer uma doutrina militar terrestre adaptada às mais recentes formas de conflito. O “Força 40” se caracterizará pela flexibilidade e alta capacidade de adaptação, permitindo que a força atue em diversos tipos de operação: desde grandes combates convencionais até missões de menor escala, como operações de paz, apoio à população ou defesa contra ameaças não convencionais. A medida está alinhada ao plano estratégico do Exército 2024-2027, focado na dissuasão e na pronta-resposta.

Busca por equipamentos de média altura no mercado

O Exército ainda não possui sistemas de média altura operacionais. O Estado-Maior da corporação conduz estudos e análises detalhadas dos equipamentos disponíveis no mercado internacional. Essa busca segue os “Requisitos Operacionais dos Sistemas e Materiais de Emprego Militar de Defesa Antiaérea de Média Altura”, um documento técnico elaborado pela própria instituição em 2024.

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