
O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou os detalhes da Operação Lívia nesta terça-feira. As investigações miram uma rede focada em crimes cibernéticos que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais perigosas.
Os criminosos submetiam os jovens a forte coerção psicológica no ambiente digital. As vítimas eram incentivadas a praticar violência contra animais, desafios de automutilação e até o suicídio.
O trabalho investigativo começou após a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. O caso ocorreu durante uma transmissão ao vivo em um grupo de bate-papo.
Estrutura da organização e prisões
A operação policial cumpriu mandados de busca em cinco estados brasileiros. As ações ocorreram no Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.
Seis suspeitos foram apreendidos ou presos pelas autoridades até o momento. O grupo contava com cinco adolescentes e um jovem de 18 anos que usavam o Telegram.
O principal suspeito de chefiar a organização é um adolescente de apenas 14 anos. Ele foi localizado e apreendido no estado do Rio de Janeiro.
Locais com mandados de busca
-
Mato Grosso do Sul
-
Ceará
-
Minas Gerais
-
Pará
-
Rio de Janeiro
Perfil dos suspeitos identificados
-
Líder do grupo: adolescente de 14 anos apreendido no Rio de Janeiro
-
Integrante investigado: estudante seminarista de um mosteiro de Pernambuco
-
Demais membros: quatro adolescentes entre 13 e 17 anos e um adulto de 18 anos
Extorção e manipulação financeira
As autoridades descobriram que os criminosos abriram uma conta digital em nome da vítima de 13 anos. A operação financeira foi feita de forma oculta sem o conhecimento da família.
O grupo enviava quantias em dinheiro para a jovem através dessa conta. Os valores eram destinados à compra de lâminas para que ela se machucasse.
Todo o material apreendido na ação será periciado pela Polícia Civil. O objetivo é descobrir a participação de outras pessoas no esquema criminoso.
Descumprimento da legislação digital
Representantes do governo apontaram falhas graves na conduta das plataformas Discord e Telegram. As empresas descumpriram regras do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.
O sinal da transmissão ao vivo não foi interrompido durante a exibição dos atos de violência. Além disso, as empresas não avisaram a polícia em tempo hábil para evitar a tragédia.
Outro ponto grave foi a ausência de verificação real de idade dos usuários cadastrados. O Ministério da Justiça pedirá que a agência reguladora investigue formalmente os aplicativos.
Alerta aos pais e novas vítimas evitadas
A polícia conseguiu identificar outra vítima do grupo antes que uma nova tragédia acontecesse. A jovem passava por coações e tinha um evento agendado na internet.
As autoridades trabalham agora para cruzar dados e avisar famílias em risco. O objetivo é alertar responsáveis sobre comportamentos suspeitos dos filhos na rede.
O Ministério da Justiça reforçou que os pais devem monitorar ativamente o celular das crianças. A prevenção e o diálogo constante continuam sendo as melhores ferramentas contra abusos virtuais.