Conduzida pela Polícia Militar e Polícia Civil do Rio, a Operação Contenção já se tornou a mais letal da história do estado, com um total de 64 mortos confirmados até o momento, incluindo quatro policiais. A dimensão da violência é sublinhada pela apreensão de 600 fuzis em posse dos criminosos.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, utilizou os dados da operação para apontar a falta de apoio federal. O estado do Rio de Janeiro, apesar de ser o quarto menor em território e o terceiro mais populoso, possui quase 1.900 favelas, o que agrava o desafio de segurança.
O governador cobra auxílio federal
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), lamentou publicamente a ausência de auxílio do governo federal. Ele citou a falta de recursos cruciais, como veículos blindados e agentes das forças federais de segurança e defesa, em operações anteriores. Devido às repetidas negativas, o governador optou por não solicitar ajuda federal para a Operação Contenção.
Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) emitiu uma nota oficial rebatendo as críticas, afirmando que todos os pedidos de apoio do Rio de Janeiro são prontamente atendidos.
Lewandowski desafia Castro a “jogar a toalha”
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, criticou a postura do governador Cláudio Castro (PL), afirmando que ele deve “assumir as suas responsabilidades” ou “jogar a toalha”.
Segundo o ministro, a atitude de “jogar a toalha” implicaria em solicitar uma intervenção federal ou a ativação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no estado. Lewandowski afirmou que não recebeu nenhum pedido de apoio do governo estadual para a operação em curso. Além disso, destacou que um dos pré-requisitos para a implementação da GLO é o reconhecimento formal da falência dos órgãos estaduais de segurança.
“Se ele sentir que não tem condições, ele tem que jogar a toalha e pedir GLO ou intervenção federal. Ou ele faz isso, se não conseguir enfrentar, ou vai ser engolido pelo crime”, declarou Lewandowski em entrevista.
Oposição critica Lula por não classificar facções como terroristas
A operação, que resultou em mais de 60 mortes no Complexo do Alemão e na Penha, também gerou forte reação na ala da oposição, que criticou o governo federal por não enquadrar as principais facções criminosas do país, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas.
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) utilizou uma publicação no X para culpar o governo do Presidente Lula pela falta de iniciativa em classificar as facções dessa forma.
De forma similar, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) fez uma menção à declaração anterior do Presidente Lula, na qual ele teria dito que “traficantes são vítimas dos usuários também”. O deputado escreveu:
“Enquanto operações como a de hoje mostram mais uma vez ao País o tamanho da desgraça causada pelo crime, nunca se esqueça que Lula não quer combater as facções como terroristas. Não dá para esperar nada de quem chamou traficantes de vítimas dos usuários”.